va olhando as gravuras e inventando a minha própria história, baseada nelas, até que um dia minha mãe percebeu que o que eu contava era exatamente o que estava escrito. Desde então nunca parei. Dos gibis passei para os livros infantis clássicos. Mas eu queria mais. Quando tinha pouco mais de 10 anos fiquei encantada com uma coleção de livros do Sherlock Holmes que encontrei na casa do meu avô (que eu gostaria muito de saber onde foi parar).Mais tarde
descobri os livros do Pedro Bandeira e os da Coleção Vaga-Lume e li o máximo que pude. Sempre fui aquela que ficava amiga das tias da biblioteca e estava sempre por lá, curiosa com tudo. Me aventurei pelos clássicos, perdida em um Sonho de Uma Noite de Verão, em busca da Felicidade Clandestina. Comecei a me apaixonar por personagens, implicar com outros (afinal que raio de personagens eram aquela Capitu, com seus olhos de ressaca e o tapado do Bentinho?) e me rebelei contra a literatura certinha quando descobri Stephen King e sua Carrie.Então passei por um hiato nas minhas leituras.
Durante os 5 anos de faculdade, e mais quase 2 anos depois, apesar de ainda ler muito, não li nada que não fosse acadêmico. A leitura tomou moldes de trabalho.Mas chegou um ponto em que a falta de leitura apenas pelo prazer de ler foi insuportável, e eu novamente mergulhei no maravilhoso mundo dos livros. Saramago e sua falta de pontuação, Marian Keyes e seu jeito divertido de falar de coisa séria, as verdades disfarçadas do Mario Prata, as cativantes personagens da Sophie Kinsella, os intrigantes enredos do Dan Brown, os variados tipos de vampiros e outros seres fantásticos.
E eu me envolvo. Converso com personagens, apoio, brigo (isso até mesmo com os livros acadêmicos.
Perdi a conta das vezes que briguei com um livro por não concordar com o pensamento defendido). Acho que não vale a pena virar a primeira página de nenhum livro se não se está disposto a se deixar envolver.Quando descobri os blogs literários, esse bando de gente tão apaixonado por livro quanto eu, não me senti mais sozinha. Achei pessoas com quem conversar e discutir apaixonadamente sobre livros, quando antes, tinha que ir à casa de uma amiga, pra conversar com a mãe dela, professora de literatura aposentada e leitora inveterada (apaixonada pelo vampiro Edward), a quem ainda encontro sempre disposta a conversar, desde que eu não mencione minha implicância com os pra ela intocáveis personagens do Dom Casmurro. rss

A criação do meu próprio blog foi, pra mim, uma evolução natural dessa necessidade de expôr minhas impressões, e fico muito feliz com cada pessoa que me visita, e que também divide seus pensamentos comigo.
Enfim, só queria partilhar um pouco com vocês todos esses sentimentos e essa parte importante da minha vida, sabendo que quem é tão apaixonado por isso tudo como eu vai entender.
E termino o post com uma confissão: eu SEMPRE leio a última frase do livro antes mesmo de ler a primeira. ;D
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