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20 de janeiro de 2012

Primeiras Linhas # 10: Julgamento Mortal - J.D. Robb

*Essa é uma coluna quinzenal em que eu trago as primeiras linhas, as primeiras frases de um livro qualquer.*


Eu já contei isso aqui mais de uma vez, mas vou contar de novo: a Série Mortal - escrita pela Nora Roberts sob o pseudônimo J.D. Robb - é uma das minhas séries literárias preferidas. É tão boa que mesmo com mais de 30 livros publicados, 17 deles no Brasil, eu não me canso dela. Tudo bem que eu ainda nem li todos os lançados no Brasil, mas mesmo assim, acho difícil que um dia vá me cansar da Eve e do Roarke!

As Primeiras Linhas que escolhi dentre os muitos livros da série são as do Julgamento Mortal, o 11° livro. Para quem não conhece, dá para ter um gostinho do que esperar dessa série.


Ela estava em pé junto do bar da boate Purgatório e analisava a morte. O sangue em grandes poças, a ferocidade do seu júbilo. A morte chegara ali como a pirraça de uma criança, cheia de calor, paixão e descuidada brutalidade.
Assassinato quase nunca era assunto limpo. Não importa se ardilosamente calculado ou
selvagem e impulsivo, ele costumava deixar uma sujeira imensa para outros limparem.
O trabalho dela era avançar por entre os destroços do crime, recolher os pedaços e descobrir onde eles se encaixavam, a fim de remontar a imagem da vida que tinha sido roubada e, por meio dessa imagem, chegar ao rosto do assassino.
Naquele momento, as primeiras horas em um dia da hesitante primavera de 2059, suas botas esmagavam um mar de vidro quebrado. Os olhos dela, castanhos e objetivos, analisavam toda a cena: vidros estilhaçados, garrafas quebradas, pedaços de madeira lascada. As paredes foram atingidas, as cabines para privacidade dos sócios tinham sido destruídas ou depredadas. O couro caríssimo e o tecido nobre que revestiam os bancos altos do bar, bem como os sofisticados grupos estofados, tinham sido rasgados até se transformarem em trapos coloridos.
O que antes fora um sofisticado clube de striptease virara uma pilha indistinta de lixo caro.
O que antes fora um homem estava caído atrás do balcão em curva. Agora era uma vítima empapada no próprio sangue.
A tenente Eve Dallas se agachou ao lado do cadáver. Ela era policial e a partir
daquele instante a vítima lhe pertencia
.



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13 de dezembro de 2011

Primeiras Linhas #9: Tamanho 44 Também não é Gorda - Meg Cabot

Essa é uma coluna em que eu trago as primeiras linhas, as primeiras frases de um livro qualquer.


Já comentei isso no twitter mas vou comentar aqui também: é impressão minha ou a gente trabalha mais no final do ano? Ou será que sou só eu? o_O
Só sei que eu estou atolada de trabalho, em falta com o blog, sem conseguir visitar meus blogs queridos, e torcendo para que 2011 acabe logo!

Enquanto isso, para animar, as Primeiras Linhas que eu trago hoje são de um dos livros de uma série que adoro, acho que a que mais gosto da tia Meg: Tamanho 44 Também não é Gorda, segundo livro da série Mistérios de Heather Wells, da Meg Cabot. Apesar de eu já ter lido em inglês, estou animada que acabou de sair o terceiro livro da série aqui no Brasil – Tamanho não Importa – e mais ainda que o quarto livro – Size 12 And Ready To Rock – será lançado nos EUA no próximo ano!!

Pra quem não conhece, mais sobre a série nesse post que escrevi há um tempinho, que vai junto com minha recomendação eterna para quem gosta de chick lit com uma pitada de mistério e investigações.


O cara atrás do balcão não para de olhar para mim. De verdade.
E ele é gostoso. Para um garoto de vinte anos que é barista, claro. Aposto que ele toca violão. Aposto que ele fica acordado até muito tarde da noite, dedilhando, como eu. Dá para ver que fica pela leve sombra sob seus olhos verdes com cílios compridos, e pela maneira como o cabelo louro cacheado dele tem uns tufos espetados por toda a cabeça. É cabelo de quem saiu direto da cama para o trabalho. Não teve tempo de tomar um banho porque ficou acordado até tarde, ensaiando. Igualzinho a mim.
— O que vai ser hoje? — ele me pergunta. Mas com um olhar. Um olhar que com certeza diz: Estou te analisando.
Eu sei que é para mim que ele está dando mole, porque não tem ninguém na fila atrás de mim. Bom, e por que ele não poderia estar me olhando com segundas intenções? Eu estou bem. Quer dizer, as partes do meu corpo visíveis fora das minhas roupas volumosas de inverno, pelo menos, estão bem. Eu com certeza passei rímel e base hoje de manhã (diferentemente do Carinha do Café, eu gosto de disfarçar as minhas olheiras). E, com a minha parca, não dá para ver os dois (tudo bem, cinco) quilos que eu ganhei nas férias de fim de ano. Afinal, quem conta calorias no Natal? Ou no Ano Novo? Ou depois do Ano Novo, quando todos os doces de Natal estão em liquidação? Há tempo de sobra para voltar à forma antes da temporada dos biquínis.
E, tudo bem, faz cinco ou seis anos que eu repito isso para mim mesma, e ainda não tentei de verdade... Entrar em forma para a temporada dos biquínis, quer dizer. Mas, quem sabe? Talvez neste ano eu tente. Tenho dois dias de férias para tirar, tudo que eu juntei desde que terminou meu período de experiência, em outubro do ano passado. Posso ir para Cancún. E, tudo bem, só para passar o fim de semana. Mas, mesmo assim...
Então, e daí que eu sou cinco (bom, talvez oito) anos mais velha do que o Carinha do Café? Eu ainda tenho as manhas.
Obviamente.




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18 de novembro de 2011

Primeiras Linhas #8

Essa é uma coluna em que eu trago as primeiras linhas, as primeiras frases de um livro qualquer.



As "Primeiras linhas" da vez são de um livro que eu amo e que estou com vontade de reler desde que assisti o filme baseado nele, O Noivo da Minha Melhor Amiga, da Emily Giffin. Amo tanto que já li, reli, li mais uma vez, fiz resenha dele aqui no blog, escrevi sobre ele na minha coluna no Subtítulo e agora estou novamente falando dele por aqui! \o/





"Eu estava na 5ª série quando pensei pela primeira vez sobre fazer trinta anos. Um dia, eu e minha melhor amiga Darcy pegamos uma agenda e abrimos no final, onde havia um calendário perpétuo que permitia consultar qualquer data no futuro e, por meio de uma pequena tabela, determinar qual seria o dia da semana correspondente. Então localizamos nossos aniversários do ano seguinte, o meu em maio e o dela em setembro. O meu caía na quarta, uma noite de aula. O dela caía na sexta. Uma vitória pequena, mas típica. Darcy era sempre a mais sortuda. Sua pele se bronzeava mais rápido, seu cabelo era mais fácil de modelar e ela não precisava de aparelho nos dentes. Ela fazia passos de break como ninguém, assim como dava estrelas e cambalhotas para frente (eu nem mesmo sabia dar cambalhotas). Tinha a melhor coleção de adesivos. Mais bótons do Michael Jackson. Suéteres Forenza em turquesa, vermelho e pêssego (minha mãe não me deixava ter nenhuma — dizia que eram modismos e muito caras). Tinha também um jeans de cinqüenta dólares da Guess, com zíperes na lateral do tornozelo, além de dois furos em cada orelha e um irmão, o que era melhor do que ser filha única como eu.

Pelo menos eu era alguns meses mais velha e ela nunca poderia me alcançar. Foi aí que decidi checar meu trigésimo aniversário — num ano tão distante que soava como ficção científica. Caía num domingo, o que significava que meu marido boa-pinta e eu providenciaríamos uma babá responsável para os nossos dois (possivelmente três) filhos na noite de sábado, jantaríamos num sofisticado restaurante francês com guardanapos de pano e ficaríamos fora até depois da meia-noite, de forma que, tecnicamente, estaríamos celebrando na data real do meu aniversário. Eu teria acabado de ganhar uma grande causa, de provar a inocência de um homem da cidade. E meu marido faria um brinde em minha homenagem: "À Rachel, minha linda esposa, mãe dos meus filhos e a melhor advogada da cidade." Compartilhava minha fantasia com Darcy quando descobrimos que seu trigésimo aniversário caía numa terça-feira. Uma decepção para ela. Observei enquanto ela apertava os lábios processando a informação.

— Você sabe como é, Rachel, quem se importa com o dia da semana em que cai o aniversário de trinta anos? — ela disse, sacudindo os ombros macios e bronzeados. — Até lá nós já estaremos velhas. Os aniversários não importam quando a gente fica velha."


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25 de outubro de 2011

Primeiras Linhas #7

Essa é uma coluna em que eu trago as primeiras linhas, as primeiras frases de um livro qualquer.


O livro que escolhi dessa vez é o primeiro de uma série que OMG!!! Sabe aquelas séries que você a princípio não dá nada por elas e te pegam pelo pé?! É o caso da série Sociedade Secreta, da Diana Peterfreund. Não vou falar muito porque ainda vou fazer resenha deles (li os três já lançados no Brasil de uma vez e agora estou desesperada pelo quarto), mas OMG!, que série boa!!!

Então aí vai o comecinho do primeiro livro da série, Sociedade Secreta: Rosa & Túmulo. Diz se não dá vontade de ler?! ;D



Por meio desta, eu confesso:
sou membro de uma das mais infames
sociedades secretas do mundo.

Tenho certeza de que você já ouviu a lenda. Nós somos o segredinho sujo da Ivy League, que reúne as melhores universidades dos Estados Unidos. Mandamos no país, até nos estados com os quais você não pensaria que nos importamos, como Nebraska. Nós começamos guerras, coordenamos golpes de estado e participamos da redação das Constituições de todas as novas nações. Todo candidato à presidência do país é um membro — assim, quem quer que ganhe sempre estará sob nosso controle.
A mídia tem medo de nós, o que é bobagem, já que os diretores de todos os jornais e cadeias de televisão do país são membros de nossa irmandade. Controlamos todos os aspectos da mídia há mais de um século, desde decidir que filmes recebem aprovação para serem produzidos até a escolha do próximo vencedor do American Idol (você realmente acha que os votos via mensagem de texto contam?).
Somos donos da maioria dos prédios na universidade, assim como de boa parte dos terrenos da cidade, e temos isso sob vigilância, inclusive com escuta telefônica. A polícia local trabalha para nós. O prefeito está nas nossas mãos. Não há um estudante no campus que não tenha medo de passar por nosso imponente mausoléu de pedra.
Ser escolhido para a nossa sociedade é o bilhete de entrada para uma vida que supera os sonhos mais loucos de qualquer pessoa. O sucesso é nosso direito de nascença a partir do momento em que emergimos de nossos caixões de iniciação para nossas novas vidas como membros da sociedade. Qualquer emprego que quisermos está ao nosso alcance e qualquer emprego que não quisermos que nossos inimigos tenham está fora do deles. Recebemos muito dinheiro de presente quando nos formamos, assim como carros esporte, antiguidades valiosas e uma mansão em uma luxuosa ilha particular. Nunca seremos presos. Nunca ficaremos pobres. A sociedade cuidará disso.
Nossa lealdade para com a sociedade é mais importante que todo o resto em nossas vidas — nossas famílias, nossas amizades, até mesmo nossas vidas amorosas. Se qualquer um, até mesmo alguém de quem gostamos de todo o coração, mencionar o nome da sociedade em nossa presença, devemos deixar o aposento imediatamente e nunca mais falar com essa pessoa.
Nunca podemos contar a ninguém que somos membros. Não podemos jamais deixar que alguém que não seja membro entre em nosso mausoléu ou será morto.
Não podemos jamais abandonar a sociedade ou revelar nenhum de seus segredos ou nós seremos mortos.
______

Quais desses boatos são verdadeiros e quais são teorias de conspiração exageradas?
Eu lhe diria, mas aí teria que matá-lo.
Não acredita em mim? Tudo bem, então vire a página. Mas não diga que eu não avisei...

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5 de outubro de 2011

Primeiras Linhas #6

Essa é uma coluna em que eu trago as primeiras linhas, as primeiras frases de um livro qualquer.


Estou em falta com o blog e nas minhas visitas aos outros blogs que gosto tanto... Primeiro passei alguns dias trabalhando demais, depois minha cachorrinha fugiu, e está sumida há quase uma semana. Nesse tempo ando alucinada procurando por ela e angustiada demais para fazer qualquer outra coisa. Ah, sim, também estou a ponto de voar no pescoço do próximo que vier me dizer que "cachorros fogem mesmo".

Enfim, cessando a divagação e voltando ao ponto da coluna, minha escolha de hoje é um livro sobrenatural, porque nada melhor para nos tirar a cabeça dos problemas que uma boa história sobrenatural. Wake, o primeiro livro da série Dream Catchers da Lisa McMann é uma dessas (apesar de o meu favorito da série ser Fade).
Será que o Cabel me ajuda a achar minha cachorrinha perdida? =´´(


"9 de dezembro de 2005 12h55

O livro de matemática de Janie Hannagan escorrega de seus dedos. Ela agarra a borda da mesa na biblioteca da escola. Tudo fica escuro e silencioso. Suspira e descansa a cabeça sobre a mesa. Tentou escapar dessa, mas sua tentativa foi um fracasso deprimente. Ela está muito cansada hoje. Com muita fome. Realmente não tem tempo para isso.
E então.

Está sentada nas arquibancadas no estádio de futebol, piscando os olhos debaixo das luzes, calada em meio aos gritos da multidão.
Olha de relance para as pessoas sentadas a seu redor nas arquibancadas - colegas de classe, pais - tentando identificar o sonhador. Ela consegue dizer que este sonhador está com medo, mas onde está ele? Em seguida, lança um olhar ao campo de futebol. Encontra-o. Revira os olhos.
É Luke Drake. Sem sombra de dúvida. Afinal, ele é o único jogador nu no campo para o jogo de homecoming."

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30 de agosto de 2011

Primeiras Linhas #5

Essa é uma coluna em que eu trago as primeiras linhas, as primeiras frases de um livro qualquer.
Escolhi dessa vez um livro de um dos meus gêneros preferidos, o chick-lit, e na verdade foi um dos primeiros desse gênero que eu li, quando ainda estava descobrindo-o. O divertido 'Procurava um marido encontrei um cachorro' da Karen Templeton.



“De início, quero apenas registrar que não me apaixonei por Greg Munson por ele ser bem-sucedido ou bonito (se bem que não me importava nem um pouco com os olhares invejosos do tipo “Como ela conseguiu ele?” sempre que saíamos) e nem para irritar minha mãe. E, juro, o fato de ele ser o filho de um congressista republicano foi mero acaso.
Não. Eu me apaixonei porque ele me deu todas as indicações de ser uma pessoa normal. E, como as chances de se encontrar uma criatura assim nesta cidade são de aproximadamente uma em um quatrilhão, quando ele me pediu em casamento eu me joguei em cima dele. Talvez não me orgulhe disso, mas, convenhamos, estamos falando da sobrevivência da espécie.
E não tenho dúvidas de que poderíamos ter uma vida muito legal juntos, se ele tivesse tido a decência de aparecer no casamento.
Agora, convenhamos, só se passaram duas horas desde que enfiei 22 metros de tule dentro de um táxi e saí do hotel com o meu ego arrasado de volta para o meu apartamento; portanto, não é como se eu tivesse tido muito tempo para entender o que aconteceu. Não que eu tenha tal pretensão.”


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15 de agosto de 2011

Primeiras Linhas #4

Essa é uma coluna em que eu trago as primeiras linhas, as primeiras frases de um livro qualquer.
O escolhido da vez é o "O Último Olimpiano" (resenha aqui), primeiro porque eu adoro o Percy e estou com saudade dele, e depois porque em breve voltarei ao Acampamento Meio-Sangue, já que O Herói Perdido está na minha estante e me seduz diariamente para lê-lo logo, rs




"O fim do mundo começou quando um pégaso pousou no capô de meu carro.
Até então, minha tarde estava ótima. Tecnicamente, eu não devia estar dirigindo, pois ainda faltava uma semana para completar dezesseis anos, mas minha mãe e meu padrasto, Paul, levaram a mim e a minha amiga Rachel para um trecho de estrada em uma praia particular em South Shore, e Paul nos emprestou seu Prius para uma voltinha.
Ora, eu sei que você está pensando: Puxa, isso é uma grande irresponsabilidade dele, blá-blá-blá, mas Paul me conhece muito bem. Ele já me vira fatiar demônios e saltar de janelas de escolas em chamas, então provavelmente concluiu que guiar um carro algumas centenas de metros não era exatamente a coisa mais perigosa que eu já havia feito."




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2 de agosto de 2011

Primeiras Linhas #3

Essa é uma coluna em que eu trago as primeiras linhas, as primeiras frases de um livro qualquer.
O meu escolhido dessa vez é o Sussurro, da Becca Fitzpatrick, exclusivamente por causa do Patch!! *-*
Só vamos entender esse começo bem depois, mas mesmo assim já bate uma curiosidade.
Ah, também tem resenha dele aqui no blog.


"Chauncey estava com a filha de um lavrador na relva às margens do rio Loire quando a tempestade se aproximou. Por ter deixado sua montaria perambular pela campina, ele não tinha opção a não ser voltar para o castelo com os próprios pés. Arrancou uma fivela de prata do sapato, colocou-a na palma da mão da moça e observou enquanto ela se afastava correndo, a barra das saias imunda de barro. Em seguida, calçou as botas e partiu para casa.
A chuva desabava pelos campos cada vez mais escuros nos arredores do Château de Langeais. Chauncey caminhava com segurança sobre os túmulos afundados e as folhas podres do cemitério. Mesmo na neblina mais espessa ele conseguia encontrar o caminho de volta, e não tinha medo de se perder. Não havia neblina naquela noite, mas a escuridão e a crueldade da chuva já criavam dificuldade suficientes.
Chauncey captou um movimento com o canto do olho e voltou bruscamente a cabeça para a esquerda. O que à primeira vista parecera ser uma enorme estátua coroando uma sepultura próxima ergueu-se majestosamente. Não era feita nem de pedra, nem de mármore. O garoto tinha braços e pernas. O peito estava despido, os pés, descalços, e calças de camponês pendiam abaixo da cintura. Ele desceu da lápide com as pontas dos cabelos negros encharcados pela chuva pingando. As gotas desciam por seu rosto, que era tão moreno quanto o de um espanhol."



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18 de julho de 2011

Primeiras Linhas #2

Essa é uma coluna semanal em que eu trago as primeiras linhas, as primeiras frases de um livro qualquer. Lógico, é mais legal se esse início for interessante e até desperte, nem que seja um pouquinho, interesse pelo livro.

O "Primeiras Linhas" dessa semana é em homenagem a uma das personagens mais famosas da literatura chick-lit. Tem gente que se irrita com ela, que a acha incorrigível já que ela é uma compradora compulsiva, que até melhora no decorrer dos livros de sua série, mas nunca se cura... e se mete em confusões gigantescas por isso.

Estou falando da Becky Bloom, e eu a adoro! Com seus defeitos e tudo. Me divirto horrores com ela e não vejo a hora de ler o sexto livro da série.

Para dar um gostinho, aqui vai o começo do primeiro livro da série, Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, da Sophie Kinsella.

"Tudo bem. Não entre em pânico. É só uma conta do VISA. Só um pedaço de papel; alguns números. Quero dizer, que poder têm uns poucos números para nos amedrontar?
Pela janela do escritório, olho para um ônibus descendo a Oxford Street. Quero abrir o envelope branco sobre minha escrivaninha desarrumada. “É só um pedaço de papel”, repito para mim mesma pela milésima vez. E não sou burra, sou? Sei exatamente qual é o valor desta conta do VISA.
Mais ou menos.
Vai ser cerca de... 200 libras. Talvez trezentas. Sim, talvez trezentas. Trezentas e cinqüenta no máximo.
Indiferente, fecho os olhos e começo a calcular. Teve aquele tailleur na Jigsaw. E aquele jantar com Suze no Quaglino’s. E aquele lindo tapete vermelho e amarelo. O tapete foi 200 libras, imagine. Mas definitivamente valeu cada centavo – todos os admiraram. Pelo menos Suze.
E o tailleur da Jigsaw estava em liquidação – por 30% a menos. Portanto, na verdade, foi uma economia de dinheiro.
Abro meus olhos e estico a mão para a conta. Quando meus dedos alcançam o papel, lembro-me das novas lentes de contato. Noventa e cinco libras. Um bocado. Mas, afinal, tive que comprar, não tive? O que devo fazer, andar por aí sem enxergar nada?
E precisei comprar umas loções novas, uma caixinha bonitinha e um delineador hipoalergênico. Isso eleva para... quatrocentos?
De sua mesa de trabalho na sala ao lado, Clare Edwards olha para mim. Está separando todas as suas cartas em pilhas como faz todas as manhãs. Embrulha cada uma num elástico e as classifica com dizeres do tipo “Responder imediatamente” e “Responder sem urgência”. Odeio Clare Edwards."



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11 de julho de 2011

Primeiras Linhas #1

O comecinho do livro, aquelas primeiras frases, muitas vezes são o que atiçam a nossa vontade de lê-lo. É o que lemos quando o folheamos na livraria antes de comprá-lo (vocês não fazem isso? Sou só eu? =S), e podem fazer a diferença entre querer ler até o final ou não. Claro que para essa decisão de ir até o fim é preciso mais que as primeiras linhas, mas se essas já forem interessantes já é um grande passo.

O "#1" do título já indica que esse será o primeiro de muitos posts. Na verdade pretendo fazer um desse toda semana. A ideia é trazer as primeiras linhas, primeiras frases de um livro qualquer. Lógico, é mais legal se esse início for interessante e até desperte, nem que seja um pouquinho, interesse pelo livro.

Bom, as "Primeiras linhas" dessa semana é o começo de um livro muito bom, que gosto muito e inclusive já resenhei no blog: O Vendedor de Armas, do Hugh Laurie (resenha aqui)

Espero que gostem tanto quanto eu.


"Imagine que você precisa quebrar o braço de alguém.
Não interessa se é o direito ou o esquerdo. O ponto é que você precisa quebrá-lo, porque se não o fizer... bom, isso não importa também. Vamos dizer que coisas ruins vão acontecer se você não fizer isso.
O que quero perguntar é o seguinte: você quebraria o braço da pessoa rapidinho – tipo crack, oops, desculpe, deixa eu ajudar você com esta tala improvisada – ou prefere fazer aquele serviço completo que dura uns bons oito minutos, aumentando a pressão aos poucos, até que a dor fique rosa e verde e quente e fria e tudo isso junto, o que a torna dolorosamente insuportável?
Exatamente. É claro. O certo a fazer, a única coisa a se fazer, é resolver a coisa logo, o mais rápido possível. Quebre o braço, ofereça um conhaque e seja um bom cidadão. Não pode haver nenhuma outra resposta.
A menos que.
A menos que, a menos que, a menos que...
E se você odiasse a pessoa do braço? Quero dizer, se odiasse muito, mas muito mesmo.
Isso era algo que eu tinha que considerar agora.
Quando digo agora, quero dizer naquela hora, naquele momento em que eu estava querendo descrever; o momento em câmera lenta, ah, maldita câmera lenta, antes de o meu punho alcançar a parte de trás do meu pescoço e meu úmero esquerdo se quebrar em pelo menos dois, ou muito possivelmente mais, pedaços moloides presos um ao outro.
O BRAÇO DO qual estávamos falando, como pode ver, era o meu."




***